23 de abril | 2025

“Entre a Toga e o Perdão” – Entre o medo e a esperança, as memórias de sua vida começaram a passar pela mente

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Travessias

No cenário entre as Grandes Guerras do Século XX, as sacrificadas “Travessias” até o Brasil vinham carregadas de esperanças. Porém, assim que colocavam os pés em terra firme, os imigrantes se deparavam com imensos contrastes sociais. Esse prenúncio dos desafios que seriam enfrentados é intensificado na visão de Natan, um dos narradores do livro escrito por Fábio Steinberg, que desembarcou na Baía de Guanabara em pleno Carnaval. Enquanto os cariocas dançavam e desfilavam com roupas coloridas, ele e os demais recém-chegados pareciam deslocados por carregarem um semblante sério, com roupas escuras e pesadas, inadequadas para o verão do Rio de Janeiro. Além da perspectiva do garoto, a obra é descrita a partir do ponto de vista de outras duas personagens que complementam a epopeia sobre a imigração do povo judaico ao país. Hana é uma mulher inteligente, que nasceu em uma família Classe Média de Varsóvia, mas enfrenta pressões sociais e familiares até casar-se sem amor para escapar da situação. Ela se muda para São Paulo com o marido e duas filhas – uma delas é a terceira narradora, Rivka, que registra o cotidiano em um diário no qual relata a sua experiência e de sua família em um mundo novo. Personagens complexos, eles são constantemente atravessados pelos contextos sociais, políticos, econômicos e culturais que conhecem. Enquanto Hana é uma figura tradicional, resignada com seu destino, mas preocupada com o comportamento e adaptação da família, Rivka é mais moderna, apesar de ficar dividida entre conquistar o sonho da independência e conservar as tradições. Já Natan cresce pobre e sem esperanças, mas consegue superar seu destino ao traçar um caminho respeitado na advocacia e de ajuda à própria comunidade. Com 413 página, o livro é um lançamento da Editora Ipê das Letras.

 

Entre a Toga e o Perdão

Enquanto o desenvolvimento econômico e o modernismo eram os grandes assuntos das metrópoles na década de 1920, essas inovações tecnológicas não chegavam nem perto do norte goiano – atual estado de Tocantins. Ali, numa casa de palha e chão batido, em uma das muitas “macondos” do sertão brasileiro, nasceu Pedro Soares Correia. O menino cresceu com certa teimosia: tinha o sonho de estudar em um lugar onde o único destino dos moradores era ser fazendeiro. Tentou mesmo assim. Em uma época na qual era necessário enfrentar péssimas condições de viagem durante a travessia até as grandes cidades, fez o possível para obter educação formal. Morou no Maranhão, em Pernambuco e seguiu seu caminho profissional até se tornar desembargador e presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás. Aos poucos firmou seu espaço de respeito na região e precisou lidar com problemas de grande magnitude sozinho, como os conflitos de terras. Por causa disso, tinha dificuldades de deixar a “toga” de lado perto da família. Essa é a história real do pai de Salatiel Soares Correia, contada no livro “Entre a Toga e o Perdão”. O autor, que cresceu com o exemplo de um homem autoritário, mas tímido e honesto, decidiu escrever a obra quando estava internado e próximo à morte. Entre o medo e a esperança, as memórias de sua vida começaram a passar pela mente. Então iniciou uma jornada de perdão ao entender que a severidade de Pedro vinha do confronto com muitas adversidades e de uma tentativa de proteção contra as dores do mundo. Porém, apesar de não demonstrar com palavras, manifestava uma forma única de amar com pequenas ações do cotidiano. Inspirado por Gabriel García Márquez, cuja influência reverbera tanto na construção poética quanto no uso do povoado fictício de “100 Anos de Solidão” para retratar o universo sertanejo, o livro propõe uma narrativa imagética que imerge nas distintas experiências brasileiras do Século XX. Com uma autoficção sobre um passado que só parece longínquo, o autor também recorre à visão analítica de Euclides da Cunha para montar um panorama universal e intimista acerca das desigualdades, baseado nos relatos de quem fez a travessia para grandes cidades e nas experiências pessoais. O livro tem 236 páginas.

 

 

Cem Chances – Posição Inicial

O sucesso de “Cem Chances” começou no Wattpad, mas os milhões de leituras virtuais logo transbordaram para o mercado editorial, consolidando a trilogia como um verdadeiro fenômeno. Lançada pela Editora Violeta, a obra da autora Ruth Oliveira já ultrapassou a marca de 10 mil livros vendidos, conquistando fãs com uma mistura envolvente de romance, fantasia e elementos sobrenaturais. A história gira em torno de Killian e Dominic, dois jovens completamente diferentes que acabam presos ao mesmo destino. Killian é impulsivo, intenso e vive o presente com paixão. Dominic, por outro lado, é contido, racional e vive assombrado por suas escolhas passadas. O embate entre os dois se intensifica após um acidente trágico que desperta em Killian o desejo de voltar no tempo — e, surpreendentemente, ele consegue. O resultado é uma jornada entre cem chances de recomeço e o confronto com o amor, o medo e o arrependimento. Inspirada originalmente em Jungkook e Jimin, do BTS, “Cem Chances” nasceu como fanfic e se transformou em romance publicado. A própria autora, Ruth Oliveira, conta que a ideia surgiu a partir do desejo de construir um personagem complexo e cheio de camadas, como Killian. Segundo Ruth, o uso de viagens no tempo e elementos fantásticos foi um experimento bem-sucedido, que deu à trama um tom inédito e profundo. O livro tem 472 páginas.

 

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