08 de maio | 2025

“Uma Negra Comédia” – personagem principal é um garoto que cresce e tenta se compreender

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Uma Negra Comédia

O protagonista-narrador de “Uma Negra Comédia” permanece sem nome do início ao fim. Talvez em razão de ser uma história parecida com a de muitos brasileiros, mas também porque a própria narrativa em primeira pessoa já torna sua vida tão única que dispensa uma identidade definida. Neste novo livro de Fábio Gonçalves, o personagem principal é um garoto que cresce e tenta se compreender no mundo diante de uma realidade violenta na periferia de São Paulo. Nascido nos anos 1990, mora no Jardim Luso, favela que faz divisa com Diadema, à época considerada a cidade mais perigosa do Brasil. Filho de uma família de quatro irmãos de diferentes pais, muitas vezes assume o papel de cuidador da casa enquanto a mãe trabalha como empregada doméstica em uma região nobre da capital e lida com as agressões do padrasto, o proprietário do cortiço onde todos residem. Neste contexto, o garoto relata experiências íntimas sobre amor, amadurecimento e perspectivas de futuro ao passo que é constantemente impactado por questões externas. Enquanto experimenta felicidades e frustrações do primeiro romance na infância, descobre as consequências fatais do crime, entende a influência do tráfico na comunidade, encara a falta de oportunidades para os jovens periféricos, percebe os impactos da violência doméstica e compreende as nuances das desigualdades socioeconômicas. Em “Uma Negra Comédia”, os leitores adentram o universo íntimo do narrador, mas também se conectam com os personagens ao seu redor. Com 228 páginas, o livro é da Editora Danúbio.

 

Democratização do Colo

Na sala da educação infantil, bebês começam a chorar. Para acalmá-los, a professora senta-se, coloca um deles no colo, abraça, acaricia e profere palavras de carinho. O outro é deixado no chão, encostado na perna da figura mais próxima à materna no ambiente, permanecendo ali até que o choro cessa. Qual dessas crianças é negra? Essa distinção entre brancos e negros, prática comum no ambiente escolar, levou a educadora, pesquisadora e doutora em Educação e relações étnico-raciais Jussara Santos a reunir vivências, pesquisas e relatos no livro “Democratização do Colo: Educação Antirracista Para e Com Bebês e Crianças Pequenas”, publicação da Papirus Editora.  Com o intuito de convidar a sociedade a refletir sobre infância e racismo com coragem, compromisso e honestidade, a autora apresenta subsídios para que o preconceito na rotina infantil não passe despercebido. A pesquisadora abre possibilidades à identificação e ao manejo das situações de discriminação.  Jussara analisa a seletividade de quais corpos ganharão ou não o colo desejado em diferentes momentos. Aborda, ainda, os conceitos de raça, racismo, branquitude e como esses se apresentam nas relações entre bebês, crianças e adultos envolvidos nos processos de educação e cuidados.  Fruto de 20 anos de atuação de Jussara Santos na Educação Básica, a obra evidencia que a implementação de uma educação antirracista requer compromisso institucional e pedagógico que vá além de políticas superficiais. O livro tem 144 páginas.

 

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