13 de julho | 2025
Vagando no espaço branco da minha mente

O cheiro do mar que um dia impregnou minha alma com promessas de eternidade, agora memória salobra, úmida e distante. Sigo, ou sou levado, não sei — talvez apenas flutue — entre os farelos do que fui e os escombros do que talvez tenha sonhado ser. Nada pulsa, ou tudo pulsa demais. O tempo se dilui, como se estivesse derretendo em mim, e eu já não o distingo do espaço que me cerca, branco, vasto, vazio, ou talvez pleno de uma plenitude que não compreendo.
Às vezes, penso ouvir ecos. De risos antigos, de vozes que amei, de dores que nem sei se foram minhas. Mas os sons se desfazem antes que eu possa reconhecê-los, como palavras escritas na areia, apagadas por uma onda que não chega nunca.
Sou ausência em busca de sentido, ou sentido esvaziado de presença? Sou eu ou uma sombra mal lembrada do que julguei ser? Nesse vagar, sei apenas que respiro — ou penso que respiro — por hábito, por inércia, ou por esperança. Talvez pelo desejo sutil e insistente de, quem sabe, um dia… reabrir os olhos.
José Antônio Arantes é escritor, pesquisador, jornalista profissional, editor do Jornal Folha da Região de Olímpia, diretor artístico da Rádio Cidade FM (98,7 MHz) e âncora do podcast Pod Pai & Filha. É advogado e licenciado em Filosofia, Ciências Sociais e Pedagogia, com atuação interdisciplinar nas áreas de comunicação, educação e cultura.
Comentários
Os comentários não representam a opinião do iFolha; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Você deve se logar no site para enviar um comentário. Clique aqui e faça o login!
Ainda não tem nenhum comentário para esse post. Seja o primeiro a comentar!






