15 de outubro | 2026
Polícia investiga Flávio Olmos e assessores por peculato e associação criminosa
OPERAÇÃO “CAIXA FRIO”!
Operação realizada nesta quinta-feira, 15, em Olímpia, foi deflagrada para cumprimento de quatro mandados de prisão temporária e oito de busca e apreensão. Investigação apura suposto esquema de devolução de parte dos salários de servidores comissionados ao agente político investigado.
A Polícia Civil confirmou oficialmente, na manhã desta quinta-feira, 15 de outubro, a realização da Operação “Caixa Frio”, em Olímpia, para apurar um suposto esquema envolvendo o presidente da Câmara Municipal, vereador Flávio Augusto Olmos, que foi conduzido no compartimento traseiro de presos de uma viatura policial até Barretos, e assessores vinculados ao seu gabinete.
A ação foi realizada pela Delegacia Seccional de Polícia de Barretos, com participação de equipes da DIG, DISE e Central de Polícia Judiciária de Barretos e apoio operacional da Força Tática da Polícia Militar. A Justiça expediu quatro mandados de prisão temporária e oito mandados de busca e apreensão no âmbito da investigação pelos crimes de peculato e associação criminosa.
ESQUEMA ENVOLVERIA DEVOLUÇÃO DE SALÁRIOS
Segundo a Polícia Civil, a investigação teve início após o recebimento de informações indicando a existência de um suposto esquema envolvendo um agente político que ocupa o cargo de vereador e atualmente exerce a presidência da Câmara de Olímpia, além de assessores ligados ao seu gabinete.
De acordo com os elementos reunidos durante a apuração, haveria exigência e combinações sistemáticas para que servidores comissionados repassassem parte das remunerações recebidas, sendo que os valores teriam como destino final o agente político investigado.
A descrição feita pela Polícia Civil corresponde ao tipo de prática popularmente conhecida como “rachadinha”, embora a nota oficial utilize as classificações criminais de peculato e associação criminosa.
EXTRATOS E RELATÓRIOS FINANCEIROS
A investigação, segundo a Polícia Civil, avançou com a tomada de depoimentos e análise de documentos, extratos bancários, relatórios de inteligência financeira e outros elementos considerados relevantes para a apuração.
Os investigadores também tiveram acesso, mediante autorização judicial, a informações obtidas a partir de afastamento de sigilos bancários e análise de comunicações financeiras consideradas atípicas.
De acordo com a nota oficial, o material reunido apontaria movimentações financeiras consideradas compatíveis com a hipótese investigada e indícios de atuação organizada entre os envolvidos.
DIVISÃO DE TAREFAS É INVESTIGADA
A Polícia Civil afirma ainda que os elementos obtidos durante as diligências indicaram uma possível divisão de tarefas entre os investigados e movimentações financeiras relacionadas entre si.
Com base nesses elementos, a autoridade policial representou à Justiça pela adoção de medidas cautelares. O Poder Judiciário então autorizou as prisões temporárias e as buscas e apreensões realizadas nesta quinta-feira.
No começo da manhã, informações ainda extraoficiais que circulavam em Olímpia davam conta de que o presidente da Câmara e outros três assessores teriam sido presos ou detidos.
Posteriormente, a divulgação oficial da operação confirmou que foram expedidos quatro mandados de prisão temporária, além dos oito mandados de busca. A nota policial, porém, não apresenta os nomes dos quatro alvos das prisões.
ASSESSORA TEVE PRISÃO CONFIRMADA EM BO
Até o momento, entre os documentos obtidos pelo iFolha, está oficialmente identificada a prisão da assessora parlamentar Luma Oliveira Torres, de 30 anos.
Conforme Boletim de Ocorrência da Polícia Civil, ela foi alvo de mandado de prisão temporária e de busca e apreensão cumprido por volta das 5h45 desta quinta-feira, em uma residência de Olímpia.
Na diligência, foi apreendido um iPhone 12 branco, que foi lacrado para análise durante a investigação. A assessora foi informada de seus direitos e a determinação policial foi para seu encaminhamento à Cadeia Pública de Bebedouro, onde ficaria à disposição da Justiça.
BUSCAS CHEGARAM AO GABINETE PARLAMENTAR
A Polícia Civil informou que foram realizadas buscas em residências dos investigados, no gabinete parlamentar vinculado ao vereador investigado e em outros endereços relacionados aos fatos apurados.
Os policiais procuravam documentos, aparelhos celulares, computadores e outros equipamentos ou objetos que possam contribuir para esclarecer a movimentação financeira investigada e a eventual participação de outras pessoas.
Todo o material apreendido deverá agora passar por análise das equipes responsáveis pelo inquérito.
POR QUE “CAIXA FRIO”
O nome escolhido para a operação também traz um detalhe diretamente relacionado à investigação.
Segundo a Polícia Civil, “Caixa Frio” faz referência a um estabelecimento comercial do ramo de sorvetes pertencente a um dos investigados.
Ainda de acordo com os elementos apurados pelos investigadores, o estabelecimento teria sido utilizado para entregas de valores relacionadas ao suposto esquema.
A polícia não informou na nota quais valores teriam sido entregues no local nem com que frequência isso teria ocorrido.
INVESTIGAÇÃO CONTINUA
A Delegacia Seccional de Barretos informou que continuará analisando os celulares, equipamentos, documentos e demais materiais apreendidos durante a operação.
O objetivo é esclarecer completamente os fatos, identificar eventuais outros envolvidos e reunir elementos para eventual responsabilização criminal.
As investigações permanecem sob sigilo.
As prisões decretadas são temporárias e possuem natureza cautelar. Os investigados não foram condenados e permanecem submetidos ao princípio constitucional da presunção de inocência enquanto as investigações e eventuais processos judiciais estiverem em andamento.
Em nota oficial, o vice-presidente da Câmara, Marcelo da Branca, afirmou respeitar o trabalho das autoridades e informou que, em razão do sigilo das investigações, o Legislativo não fará comentários sobre os fatos neste momento. Segundo ele, a Câmara permanecerá à disposição para prestar esclarecimentos e colaborar com as autoridades.
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