29 de janeiro | 2008
Promotor denuncia delegado de Guaraci por peculato

De acordo com o artigo 312, peculato – corrupção praticada por servidor público – é apropriação por funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tenha a posse em razão do cargo, ou desvio, em proveito próprio ou alheio. A pena é de reclusão de dois a 12 anos e multa.
A denúncia de peculato foi encaminhada ao delegado-corregedor da Polícia Civil, Emílio Pascoal, de Ribeirão Preto, que investigou o caso após representação feita pelo advogado Valtercides Monteiro. Ele afirma que Depieri vendeu produtos apreendidos que necessitariam de autorização judicial para a venda.
Consta que o caso estaria ligado a uma apreensão de várias bicicletas e peças em uma oficina da cidade de Guaraci, cujos proprietários foram denunciados por receptação e posteriormente absolvidos pela justiça.
Depieri Micheli se defendeu com um ofício de 19 páginas encaminhado ao corregedor Pascoal. Em sua defesa ele afirmava que as bicicletas com registro na oficina – nota fiscal ou proprietários conhecidos – teria sido devolvidas e as demais vendidas e o dinheiro usado na compra de duas cestas básicas, doadas ao asilo do município. No entanto, a defesa não convenceu o corregedor Emílio Paschoal.
“As provas são robustas e por isso encaminhamos os inquéritos ao Ministério Público. O fato de o delegado ter dado cestas básicas à entidade de caridade, não muda a origem da reclamação, que foi a venda irregular dos objetos apreendidos. Serviço público não é lugar para Robin Hood. Aqui, Robin Hood também é punido”, afirmou Paschoal em entrevista que concedeu ao jornal Diário da Região de São José do Rio Preto, fazendo referência um personagem da ficção inglesa que roubava dos ricos e distribuía aos pobres. “A lei é para todos”, acrescentou ainda.
O delegado alega também que é vítima de perseguição política coordenada por pessoas que tentam removê-lo de Guaraci. Há vários inquéritos e alguns processos contra ele. As reclamações apontam destruição de documentos pessoais, proibição a mãe presa de amamentar recém-nascido e outros supostos abusos.
Na segunda-feira, dia 28 de janeiro, o inquérito que apura o possível peculato estava com o advogado do delegado, que tem prazo de 15 dias para apresentar a defesa. Quando há denúncia contra servidor público, ele tem direito de defesa antes de o juiz decidir se recebe a denúncia.
Além da denúncia do Ministério Público, a corregedoria de Ribeirão Preto deve encaminhar ainda esta semana ao delegado-geral da Polícia Civil, em São Paulo, representação para que seja instaurado processo administrativo contra o delegado.
Após o Diário informar em 30 de agosto que havia os inquéritos contra ele, o delegado apresentou queixa-crime contra o jornal. Ele negava ser investigado por peculato.
A Folha da Região também divulgou a existência dos inquéritos baseada na matéria do jornal de Rio Preto e, diferentemente de São José do Rio Preto, aqui, o delegado, além de entrar com queixa-crime na promotoria local ainda entrou com processo por dano moral contra a Folha da Região e o editor, desta, jornalista Jose Antonio Arantes.
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