15 de setembro | 2019
Jornalista da Folha flagra mulher sangrando e convulsionando caída na calçada da UPA

Ela estava passando em frente ao local quando viu uma mulher caída ao chão convulsionando e sem atendimento (foto à direita). Ela, que estava com o marido, ainda deu duas voltas no quarteirão e como a situação continuava a mesma, fez um pequeno vídeo e desceu do carro para ver o que estava acontecendo.
Encontrou uma mulher caída ao chão, sangrando por um corte na cabeça e convulsionando, sem que ninguém fizesse nada a respeito. “Eu vi pessoas em volta dela pedindo socorro. Fiquei inconformada, pois a sensação era a de que a mulher estava morrendo e ninguém estava fazendo nada. Eu perguntei para uma moça de rosa que estava ao lado se alguém já tinha vindo atendê-la, prestar socorro e ela simplesmente olhou para minha cara e falou: “não, ninguém veio e ela vai morrer aqui na frente”.
Bruna continuou: “Eu pensei comigo: “não pode ser verdade isso!” e eu só escutava a moça de rosa, gritar: “pelo amor de Deus, fica com a gente, fica com a gente”, pra a que estava sangrando e convulsionando. Aquilo foi me dando uma coisa ruim que achei que fosse cair no chão. Então eu entrei na UPA e não tinha uma viva alma lá dentro para ser atendida que eles pudessem justificar o porquê não estavam atendendo.”
“Lá estava somente uma secretária, recepcionista, sei lá o que ela é atrás do vidro – complementou – porque agora colocaram vidro do chão até em cima. Eu perguntei para ela: “vocês não vão atender a moça lá na frente? Você sabe que tem uma moça caída que tá morrendo lá na frente?”. Ela simplesmente disse: “tem que esperar o SAMU”. E eu perguntei: já foi chamado o SAMU?”. E reafirmei: “como assim, gente, já foi chamado o SAMU, o SAMU é aqui do lado. Vocês precisam prestar socorro, a mulher vai morrer. Vocês querem pegar alguém aí de dentro e vir aqui ajudar ou me dar uma cadeira de roda?”. A moça simplesmente falou assim “não tenho o que fazer. Paciência, tem que esperar”. De maneira grossa, linda, bela e grossa”.
Bruna Arantes continuando sua narrativa no programa “Cidade em Destaque” afirmou: “Eu respondi então: ‘ótimo, se acontecer alguma coisa com essa mulher, você tá ferrada, para não falar outra coisa’. Virei as costas e me dirigi para a porta da UPA e lá tinha uma família, que aparece no vídeo e eles estava perguntando uns para os outros se já tinham chamado a polícia também por causa deles. Não deu nem para parar para perguntar qual era o caso deles, mas eles estavam subindo pelas paredes também. Voltei para menina convulsionando e aí vi que era uma conhecida minha”.
A jornalista continuou seu relato: “Passado uns 10, 15 minutos o SAMU chega, por coincidência, não veio de resgate, vieram a pé do fundo da UPA, na maior tranquilidade e nem desceram, ficaram ali na porta da UPA conversando. Eu falei: “não tô vendo isso, Jesus Cristo”. No que fui descendo a escada, apareceram mais dois homens que, ao que parece, não eram funcionários da UPA, mas que levaram ela para dentro da UPA. Os dois caras com essa moça de rosa cataram a menina e levaram para dentro pendurada, um catando pela perna, outro pela outra perna e aí fui acompanhando. E pensei: só vou sair daqui na hora que eu ver que essa menina entrou para o corredor”.
Bruna explicou que no outro dia foi procurar saber o que tinha acontecido, se a menina tinha sido bem atendida e teve a confirmação que tinha sido bem atendida. Por sorte não tinha acontecido nada de grave. Ela levou uns pontos na cabeça e conseguiu se recuperar da convulsão”, concluiu.
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