19 de julho | 2021

Editor da Folha entra na lista dos 10 jornalistas do mundo que sofreram injustiça na pandemia

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O jornalista sofreu uma série de ataques pelas redes sociais por causa da defesa da ciência no combate a pandemia que culminaram com o incêndio no prédio onde mora, cuja investigação continua praticamente parada, sem se chegar ao verdadeiro mandante ou incentivadores que muitos sabem que existem, mas a polícia não consegue provas para desmascará-los.


O jornalista e editor do jornal Folha da Região de Olímpia, do site iFolha e do programa Cidade em Destaque, na rádio Cidade de Olímpia, 98,7 Mhz, José Antônio Arantes, foi incluído entre os 10 jornalistas do mundo que sofrem perseguição por causa de sua postura diante da pandemia da One Free Press Coalition.

O jornalista foi incluído na relação em razão dos ataques que sofreu por causa de sua atuação na pandemia que culminaram com o incêndio no prédio onde funcionam os órgãos que edita, cuja investigação até hoje continua praticamente parada, sem se descobrir o verdadeiro mandante ou incentivadores que muitos sabem que existem, mas a polícia não consegue provas para desmascará-los.

Arantes, depois do incêndio, continuou a ser agredido sistematicamente pelas redes sociais e, recentemente, passou a sofrer um verdadeiro assédio judicial, com um advogado patrocinando simplesmente seis ações de dano moral e cinco queixas-crimes em seu próprio nome e no de outros “negacionistas” que o acompanharam nos achaques pela internet.

11 PROCESSOS CONTRA O JORNALISTA JUSTAMENTE

DE QUEM O ATACOU PELAS REDES SOCIAIS

São 11 tentativas de utilização da justiça para amedrontar o jornalista, das quais, as criminais já tiveram negativa de andamento por parte da justiça, mas as outras seis cíveis por dano moral continuam em andamento.

Esta tática de assédio judicial, segundo a Abraji – Associação Brasileira de Jornalistas Investigativos, é utilizada para amedrontar e calar a boca de profissionais não só do Brasil, mas de outras partes do mundo.

O jornalista tomou conhecimento através da representante do órgão internacional chamado Comitê para Proteção de Jornalistas (CPJ), Renata Neder, que comunicou o editor da Folha na última sexta-feira, que seu nome tinha sido incluído entre os 10 jornalistas do mundo que sofrem perseguição por causa de sua postura perante a pandemia.

CPJ INCLUIU O CASO DE OLÍMIPIA NA LISTA

DOS CASOS MAIS URGENTES DE JULHO

“Arantes, a One Free Press Coalition, da qual o CPJ faz parte, incluiu o seu caso na lista de dez casos mais urgentes do mês de julho, por recomendação do CPJ. Neste mês, a lista ficou em casos de jornalistas que sofreram retaliação por seu trabalho sobre a pandemia de covid”, afirmou Renata pelo WhatsApp.

Segundo o site na internet, em todo o mundo, à medida que a pandemia COVID-19 continua a afetar nossa maneira de viver, ela também remodelou a maneira como os jornalistas trabalham. Cobrir a pandemia e suas consequências levou à exposição direta ao vírus, mas de forma igualmente preocupante, os jornalistas foram expostos aos caprichos das autoridades em alguns países que usam o contágio como uma razão para reprimir a mídia.

No site também está a informação de que algumas das medidas de emergência postas em prática que restringem a liberdade de imprensa – intencional ou não – podem continuar no futuro, e os jornalistas já estão enfrentando as consequências.

221 VIOLAÇÕES À LIBERDADE DE IMPRENSA

RELACIONADA À COVID

Somente de fevereiro de 2020 a 22 de junho de 2021, o CPJ documentou 221 violações à liberdade de imprensa relacionadas à pandemia.

O International Women’s Media Foundation (IWMF) e o CPJ (Comitê para Proteção de Jornalistas) também fornecem informações e recursos aos jornalistas para que possam fazer reportagens com segurança durante a pandemia. Encontre mais informações no comunicado de segurança COVID-19 regularmente atualizado do CPJ para obter as últimas informações sobre segurança física e digital para jornalistas em mais de 40 idiomas.

VEJA A RELAÇÃO DOS JORNALISTAS

1. Rana Ayyub, Saba Naqvi e Mohammed Zubair (Índia). No ano passado, a polícia abriu uma investigação criminal contra um editor do site de notícias independente The Wire por supostamente “espalhar discórdia” relacionada ao bloqueio do COVID-19. Agora, as autoridades iniciaram uma investigação criminal contra o The Wire e os jornalistas Rana Ayyub, Saba Naqvi e Mohammed Zubair, que alega que eles compartilharam um vídeo não verificado que poderia causar agitação social.

 2. Azimjon Askarov (Quirguistão). 25 de julho marca um ano desde que o jornalista e ativista de direitos humanos Azimjon Askarov morreu em uma prisão do Quirguistão. Sua família suspeitou que ele havia contraído COVID-19, mas as autoridades se recusaram a testá-lo.

 3. José Antônio Arantes (Brasil). O fundador e editor da Folha da Região de Olímpia, SP, recebeu mensagens ameaçadoras nas redes sociais em resposta à cobertura da pandemia e foi alvo de um incêndio criminoso no prédio que abriga sua casa e a sede do jornal.

 4. Gamal al-Gamal (Egito). O colunista “freelance” egípcio contraiu o COVID-19 no início deste ano enquanto estava em prisão preventiva na notória Prisão de Tora, no Cairo. Embora ele tenha sido transferido para um hospital, as condições atrás das grades continuam inseguras para muitos presos.

 5. Rozina Islam (Bangladesh). Rozina Islam foi presa em maio sob alegações de roubo de documentos oficiais e espionagem, após reportar sobre suposta corrupção e má gestão na resposta do governo à pandemia. Embora ela tenha sido libertada sob fiança, se acusada e condenada, ela pode pegar até 14 anos de prisão e a pena de morte.

 6. Nurgeldi Halykov (Turcomenistão). O correspondente autônomo Nurgeldi Halykov está atrás das grades desde setembro de 2020 por acusações de fraude, que colegas acreditam ser retaliação por suas reportagens, incluindo a cobertura da pandemia para o site de notícias independente da Holanda, Turkmen.news. 

7. Andrzej Poczobut (Bielo-Rússia). O comentarista político e produtor de TV Andrzej Poczobut está detido em prisão preventiva desde março. Ele teria contraído COVID-19 enquanto estava atrás das grades, com prisioneiros mantidos em condições de superlotação, mas agora foi colocado em quarentena. 

 8. Siddique Kappan (Índia). O jornalista indiano, atrás das grades, desmaiou no início deste ano após supostamente ter contraído a COVID-19. Enquanto um tribunal retirou uma das acusações inafiançáveis ​​contra ele em junho, as autoridades em Uttar Pradesh continuam a perseguir e investigar acusações de retaliação adicionais contra ele.

 9. Shahram Safari (Irã). Jornalista autônomo curdo, que também dirige o canal de notícias local “Rawezh Press”, foi condenado a três meses de prisão por suas reportagens sobre a COVID-19. Enquanto ele está apelando da decisão, enfrenta dois processos adicionais.

 10. Oratile Dikologang (Botswana). Cofundador e editor digital do site local Botswana People’s Daily News, estava para ser julgado em 12 de julho por acusações relacionadas a informações compartilhadas no Facebook sobre COVID-19 e política local. Ele nega publicar as postagens.

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Comentários

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Todos os Comentários (1)
Américo Rodrigues Dourado (Dourado) há 1 ano atrás
"Ainda bem" que estas notícias possam estar sendo veiculadas, para que a população não se faça "de gado rumo ao brete" domesticada por um deletério processo negacionista (não só relacionado à vacina e os tratamentos protocolares precoces que cabe à Ciência rebater com agilidade e eficácia!), que precipuamente ataca as instituições e os princípios democráticos, em detrimento do Estado Democrático de Direito e ameaças de ruptura constitucional em favor de um governo ditatorial e nazi-fascista. Todos os esforços para minar as vacinas e os protocolos entendidos pela OMS e a maioria das agências de vigilância sanitária, do mundo, foram considerados anti-éticos e ainda custam vidas, e mesmo assim, mundo-afora, aqueles que se ombrearam à defesa da saúde e da VIDA das pessoas foram e são ameaçados diuturnamente por governos que aos poucos vão se revelando, por si sós genocidas, mas também, cada um a seu modo, opressores contundentes capazes de obter a cumplicidade de boa parte da população que também é oprimida, mais ou menos como vaticinou Simone de Beauvoir.("o opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos"). Recentemente um blog midiático local enfatizava o "amor" reinante em meio à população olimpiense, sem muito especificar dados que comprovaria esta sensibilidade e generosidade humana para com os seus, evidentemente querendo esconder sob o tapete os tempos difíceis que se vive, e, deliberadamente, escondendo "esse bafo de atraso com uma nitidez tão grande" (leia-se J. L. Penna -PV) que uma maioria negacionista aderiu buscando defender os planos de um lunático excêntrico, figura nefasta à Nação que, se calarmos "nosso silêncio acaba sendo também uma cumplicidade" diante de uma seita olaviana que considera o "crime divino" quando se trata de parceria entre o tráfico, milícias e igrejas pentecostais (nas periferias) no intuito de oprimir os desavisados e recalcitrantes "que não têm padrinho e são ameaçados de morrer pagãos". Onde está esta suposta "generosidade" de AMOR , quando jornalistas são ameaçados (e atacados) e indefesos até nos tribunais? Quais as conclusões dos inquéritos que investigaram ataques a pescadores (ingênuos) que adentraram local proibido e foram atingidos por tiros e posteriormente tiveram o veículo incendiado? E o carro "riscado" com objeto pontiagudo metálico, cujos autores foram flagrados por vídeo (e reconhecidos) que fim levou? E outras investigações (o iFolha fala em 11 ameaças judiciais) estão em que pé? As vítimas vão receber o amparo das autoridades e da Justiça para reparar os danos que sofreram, psicologicamente e materialmente? Então de que AMOR estamos falando numa comunidade razoavelmente pequena, que a maioria se conhece, e se reconhece, mas cuja obscuridade ideológica se abastece no rancor e no ódio gratuitos e que não dispensa ataques e perseguição às suas vítimas mais vulneráveis e tolerantes com o ideário de cada um? Será que a imprensa também é obrigada a repetir o então embaixador Ricupero "o que é bom para nós a gente divulga, o que é ruim, a gente esconde" , transformando este 4º poder - moderador, fiscalizador e incomplacente/intolerante com os predadores democráticos - em mais uma instituição batedora de carimbo nos atos de ofício dos plantonistas do Poder em desacordo com os demais poderes e a CF? Não, não é isso que queremos para o Brasil, cujo mandatário de plantão insiste "em querer cortar a orelha de uma mula, sem saber que esta extravagância violenta não vai transformá-la num cavalo". Como lamentou um cineasta (oportunamente lembrarei o nome) "alguém -ou todo mundo- terá que ouvir o coração e dizer: PAREM". Conclusão: uma Nação de idiotas não pode permanecer idiota o tempo todo de modo a se acumpliciar com negacionistas, cuja ambição desmedida pelo Poder se torna "a mais flagrante das paixões" (Tácito) e cujos métodos de governança se alicerçam em imagens positivas e apregoadas e nunca são comprovadas, mas repetidas à exaustão, para que o opressor obtenha dos próprios oprimidos a cumplicidade de que necessitam pra continuarem a marcha da insensatez (Sandra Cavalcanti) que objetiva a permanência no poder, por meios viciados e referendados por outros cúmplices congressuais ou então por ameaças de domínio sobre os outros com exigência de cumprimento da CF, mas que na verdade, eles próprios são incapazes de cumprir. Não sejamos cúmplices! nosso silêncio obviamente atestará de que lado estamos...!
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