22 de abril | 2023
Escola da Cohab IV pode ter sido invadida por simpatizante nazista
REALIDADE ASSUSTADORA?
Máscara que professoras disseram ter visto é usada por grupos de simpatizantes do extremismo “nazista”. Virou referência para extremismo, depois de usada em escola de Suzano, em 2019.
Na internet é vendida por cerca de R$ 20.
No Twitter, apoiadores de ataques a escolas costumam postar fotos usando o item.



Um adereço deste tipo também foi usado pelo estudante de 13 anos que matou a facadas a professora Elisabeth Tenreiro recentemente em uma escola em São Paulo que, por sua vez, é semelhante à usada em outros ataques em escolas no histórico brasileiro.
A vestimenta de caveira foi utilizada em ao menos outros dois atentados recentes: nos atentados contra escolas em Aracruz, no Espírito Santo, e em Suzano, na Grande São Paulo.
MÁSCARA É MARCA
REGISTRADA DOS NEONAZISTAS
A máscara de caveira é marca registrada da Divisão Atomwaffen, grupo neonazista criado nos Estados Unidos, com simpatizantes espalhados por vários países, como a Alemanha.
Essa rede de extrema-direita costuma recrutar jovens, muitos deles usuários de games, o que teria contribuído para a difusão do adereço entre jogadores atraídos por discursos nazistas.
Em novembro do ano passado, um atirador invadiu duas escolas na cidade de Aracruz, no Espírito Santo, matando quatro pessoas e ferindo outras dez. Ele utilizava um uniforme militar e uma máscara de caveira.
Além disso, em 13 de março de 2019, dois ex-alunos da Escola Estadual Professor Raul Brasil, de Suzano, no interior de São Paulo, invadiram a escola naquela manhã de quarta-feira e abriram fogo durante o horário de intervalo. Entre as vestimentas dos atiradores estavam máscaras cobrindo o rosto com estampa de caveira. O massacre deixou dez mortos, incluindo os dois atiradores, e outros 11 feridos.
“EXTREMISMO DE DIREITA
É PONTO NEVRÁLGICO”
Em entrevista ao jornal O Globo, o professor e pesquisador na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) Daniel Cara afirmou que esses padrões são o prenúncio do ataque pela internet, a exaltação de outros agressores que se são vistos como mártires e o uso de símbolos neonazistas.
O pesquisador organizou um relatório elaborado por 12 especialistas em educação e extremismo que contém sugestões para evitar esse tipo de ataque.
Sobre o ataque à escola paulista, ele diz “entender que se trata de extremismo de direita e este é um ponto nevrálgico, porque esses grupos têm caráter neonazista. Mesmo que os jovens não se identifiquem como neonazistas, eles usam os mesmos símbolos, as mesmas referências”.
O atentado em São Paulo foi o 17º ataque criminoso em escolas brasileiras nas duas últimas décadas, sendo que seis deles ocorreram nos últimos 12 meses.
Esse tipo de máscara virou uma referência simbólica para o extremismo, depois de ter sido usada pelo atirador que matou oito pessoas em uma escola de Suzano, em São Paulo, em 2019. O jovem que realizou o atentado na escola Thomazia Montoro na semana passada também usava uma máscara semelhante.
AUMENTO DE CÉLULAS EXTREMISTAS
Um levantamento realizado pela ONG Anti-Defamation League (ADL) em 2022 concluiu que o Brasil é o país onde mais cresce o número de grupos de extrema direita, especialmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Segundo o estudo, monitorado pela doutora em antropologia pela Universidade de Campinas (Unicamp) Adriana Dias, que morreu recentemete, a maioria desses grupos (137) está em São Paulo, sendo que a maior parte está concentrada na capital, com 51 células.
De acordo com os dados, havia no país mais de 530 grupos extremistas nos primeiros meses de 2022, contra 334 células que foram identificadas em 2019.
Dias dividiu esses grupos em categorias como hitlerista/nazista, negação do Holocausto, ultranacionalista branco, radical catolicismo, fascismo, supremacista, criatividade Brasil, masculinismo, supremacia misógina e neo-paganismo racista.
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