17 de março | 2025

Saúde de Olímpia enfrenta sucateamento e falta de recursos, aponta secretário em conferência

Compartilhe:

Márcio Iquegami revelou problemas estruturais, orçamento comprometido e anunciou medidas emergenciais para recuperar o setor

A 11ª Conferência Municipal de Saúde de Olímpia, realizada no dia 13 de março na Câmara Municipal, revelou um cenário preocupante para a saúde pública do município. O secretário de Saúde, Márcio Iquegami, destacou dificuldades financeiras, falta de estrutura nas unidades e problemas na regulação dos atendimentos. Segundo ele, a precariedade do sistema é resultado de um orçamento mal elaborado e de falhas na gestão anterior, o que compromete a qualidade do serviço prestado à população.

ORÇAMENTO MAL PLANEJADO E FALTA DE REPASSES

Iquegami afirmou que encontrou um orçamento deficitário, com verbas insuficientes para cobrir as despesas da Secretaria de Saúde. Embora houvesse declarações de que os cofres municipais estavam abastecidos com R$ 120 milhões, a pasta recebeu apenas R$ 148 mil em recursos próprios.

Outro problema apontado foi a redução drástica do orçamento da Santa Casa. Em 2024, o hospital recebeu mais de R$ 21 milhões, mas o valor previsto para este ano caiu para R$ 12 milhões, o que gera incertezas sobre a manutenção dos atendimentos.

FROTA DE AMBULÂNCIAS SUCATEADA E FALTA DE MANUTENÇÃO

A precariedade na infraestrutura também foi destacada. No setor de transporte, 20 das 29 ambulâncias da Secretaria estavam fora de operação quando a nova gestão assumiu, algumas há mais de um ano. Entre os veículos parados, havia ambulâncias com apenas três anos de uso, sem explicação clara sobre a falta de manutenção.

Além disso, a Secretaria enfrenta dificuldades para garantir transporte adequado de pacientes para cidades como Barretos e Ribeirão Preto, onde são realizados tratamentos especializados.

POSTOS DE SAÚDE SEM ESTRUTURA E EQUIPES INCOMPLETAS

As Unidades Básicas de Saúde (UBSs), consideradas o coração do atendimento primário, também enfrentam graves problemas. Muitas apresentam infiltrações, instalações elétricas comprometidas e falta de equipamentos adequados.

As equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF), responsáveis pelo acompanhamento de pacientes crônicos e ações preventivas, estão desfalcadas. A falta de agentes comunitários de saúde e profissionais especializados compromete o atendimento nas residências e dificulta o controle de doenças como hipertensão e diabetes.

FALHAS NA REGULAÇÃO E FILAS DESORGANIZADAS

Outro gargalo apontado na conferência foi a regulação de consultas e exames. Segundo o secretário, a gestão anterior não deixou um levantamento organizado dos atendimentos agendados, o que prejudicou a continuidade dos serviços.

A demora na marcação de exames e a falta de organização na fila de espera geram reclamações constantes da população. A equipe da Secretaria trabalha na reestruturação do sistema para evitar que pacientes fiquem meses aguardando procedimentos básicos.

FALTA DE MEDICAMENTOS E ATRASOS NAS COMPRAS

A crise no abastecimento de medicamentos também foi mencionada. Problemas na licitação e desistências de empresas fornecedoras causaram desabastecimento de itens essenciais. A Secretaria conseguiu viabilizar uma compra emergencial com mais de 300 medicamentos, mas ainda enfrenta dificuldades na reposição regular.

A equipe trabalha para corrigir falhas nos contratos e evitar que o problema se repita nos próximos meses.

AMPLIAÇÃO DA SANTA CASA E NOVO MODELO DE ATENDIMENTO

Diante da crise hospitalar, Iquegami anunciou um projeto para ampliar a Santa Casa de Olímpia em até 80%, garantindo mais leitos e especialidades médicas. Atualmente, o hospital opera com mais de 90% dos atendimentos voltados ao Sistema Único de Saúde (SUS), acima do limite recomendado para sustentabilidade financeira.

A proposta inclui a reestruturação do modelo de gestão e a busca por novos convênios para equilibrar as contas e melhorar o atendimento à população.

INVESTIMENTO EM TECNOLOGIA E ATENDIMENTO HUMANIZADO

Uma das soluções apontadas para melhorar a eficiência do sistema de saúde municipal é a digitalização dos atendimentos. A Secretaria trabalha para modernizar o prontuário eletrônico, integrando todas as unidades básicas e a UPA.

Além disso, está prevista a implementação da telemedicina na UPA, permitindo atendimentos rápidos para casos de menor gravidade. Outra novidade será a ampliação do horário de atendimento em algumas unidades básicas, com funcionamento até as 20h, para desafogar a UPA e reduzir as filas.

SECRETÁRIO PEDE APOIO E PARTICIPAÇÃO DA POPULAÇÃO

Ao final da conferência, Iquegami destacou a importância da participação da população na fiscalização dos serviços e no encaminhamento de sugestões. A Ouvidoria Municipal foi reforçada para receber reclamações e auxiliar na melhoria da rede pública de saúde.

Apesar dos desafios, o secretário reafirmou o compromisso da gestão em recuperar a qualidade do atendimento e garantir melhores condições de trabalho para os profissionais da área.

 

Compartilhe:

Comentários

Os comentários não representam a opinião do iFolha; a responsabilidade é do autor da mensagem.

Você deve se logar no site para enviar um comentário. Clique aqui e faça o login!

Ainda não tem nenhum comentário para esse post. Seja o primeiro a comentar!

Mais lidas