21 de outubro | 2026
Câmara exonera quatro e terá nova eleição
MUDANÇAS NO LEGISLATIVO!
Reorganização ocorre após prisões e denúncias de suposta “rachadinha” na Operação Caixa Frio.
Legislativo nomeou dois novos comissionados, enquanto Flávio Olmos apresentou renúncia à presidência e pediu licença de 120 dias, ainda dependente de aprovação. Investigação aponta supostas cobranças de R$ 3 mil mensais.
DA REDAÇÃO

Os servidores exonerados são Luma Oliveira Torres, Camila Renata dos Santos Gorita Domenico, Renan Gustavo Balatori e Luis Gustavo Alessi. Os três primeiros, que também foram presos durante a operação policial, apresentaram pedidos de exoneração protocolados sob os números 745, 746 e 747/2026. A saída de Alessi consta da Portaria 1534/2026, mas não foi localizado, entre os documentos consultados, requerimento apresentado por ele. Não há, nas informações examinadas, elementos que o vinculem às prisões ou às suspeitas investigadas.
DOIS NOVOS COMISSIONADOS
Para recompor a estrutura administrativa, o presidente em exercício, Leandro Marcelo dos Santos, o Marcelo da Branca, nomeou Julia Breda Lopes para a chefia de Gabinete da Presidência e Eduardo Maciel Camioto para o cargo de assessor parlamentar. As nomeações foram formalizadas pelas portarias 1535 e 1536/2026, com efeitos a partir de 20 de outubro.
As quatro exonerações constam das portarias 1531 a 1534/2026. Os atos aparecem como em vigor no sistema oficial da Câmara e representam alterações na estrutura de cargos comissionados após a operação deflagrada na quinta-feira, 15.
RENÚNCIA E LICENÇA SÃO DISTINTAS
Flávio apresentou dois requerimentos separados, protocolados em 19 de outubro. No documento 743/2026, comunicou sua renúncia ao cargo de presidente da Mesa Diretora, sem abrir mão do mandato de vereador. Conforme o artigo 29 do Regimento Interno, a renúncia produz efeitos a partir da leitura do documento em sessão, independentemente de aprovação pelo plenário.
Já o requerimento 742/2026 solicita licença de 120 dias para tratar de interesses particulares. Diferentemente da renúncia à presidência, o afastamento temporário do mandato depende de discussão e votação dos vereadores, conforme determina o artigo 244 do Regimento Interno. Na consulta realizada nesta quarta-feira, 21, o pedido ainda aparecia como “Tramitando”, sem confirmação de sua aprovação.
SUPLENTE DEPENDE DA APROVAÇÃO
A licença solicitada tem fundamento no artigo 243, inciso III, do Regimento Interno, que permite afastamento para interesses particulares por período mínimo de 30 e máximo de 120 dias dentro da mesma sessão legislativa. No documento, Flávio menciona a investigação criminal e afirma que pretende preservar a tranquilidade institucional e permitir o prosseguimento das apurações.
Caso os vereadores aprovem o requerimento, a Câmara deverá adotar os procedimentos para convocar o respectivo suplente, conforme o artigo 246 do Regimento Interno. Portanto, a substituição ainda depende da concessão da licença. O afastamento, se aprovado, não representará perda definitiva do mandato, e o retorno do titular deverá observar o prazo concedido e eventuais impedimentos legais ou judiciais.
ELEIÇÃO NA PRÓXIMA SEGUNDA-FEIRA
Segundo informação confirmada ao iFolha por Marcelo da Branca, a Câmara realizará na próxima segunda-feira, 26, uma eleição para escolher o novo presidente e o vice-presidente. Os eleitos completarão o mandato da atual Mesa Diretora, que se encerra em 31 de dezembro de 2026.
No final do ano, o Legislativo deverá realizar outra eleição, desta vez para escolher os dirigentes do biênio 2027-2028. Assim, a Câmara terá duas eleições internas em um intervalo relativamente curto, além da possível convocação de um suplente, condicionada à aprovação do pedido de licença.
EX-ASSESSOR RELATOU COBRANÇA DE R$ 3 MIL
As mudanças administrativas acontecem enquanto prossegue a investigação sobre um suposto esquema de devolução de parte dos salários de servidores comissionados, conhecido como “rachadinha”. Em decisão judicial de 8 de outubro, que autorizou buscas e apreensões, consta o depoimento de um ex-chefe de gabinete que afirmou ter sido solicitado a entregar R$ 3 mil mensais a Flávio Olmos.
Segundo o relato, os valores seriam retirados após o recebimento dos salários, em saques de R$ 2 mil e R$ 1 mil, e entregues em dinheiro no gabinete da Presidência ou em locais ligados à família do vereador. O ex-servidor também mencionou supostas cobranças a fornecedores e constrangimentos no ambiente de trabalho.
COAF APONTOU MOVIMENTAÇÕES ATÍPICAS
A investigação reuniu depoimentos, fotografias, conversas, extratos bancários e informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A decisão judicial aponta coincidências temporais entre saques realizados por assessores e depósitos em dinheiro e cheques identificados na conta de Flávio, além de transferências entre investigados.
Em relação aos assessores investigados, foram identificados saques de valores que variavam, conforme o caso, entre R$ 1.300 e R$ 2 mil após os pagamentos salariais. A investigação também examina pagamentos repetidos de boletos que, segundo uma das declarações, poderiam estar relacionados a familiares do vereador. A identificação dos efetivos beneficiários ainda depende de esclarecimento.
JUSTIÇA AUTORIZOU ACESSO A CELULARES
Com base nos elementos apresentados, a juíza Luciana Conti Puia, da Vara Regional das Garantias da 8ª Região Administrativa Judiciária, autorizou buscas em imóveis vinculados aos investigados e no gabinete da Presidência da Câmara.
A decisão permitiu a apreensão de documentos e equipamentos eletrônicos, além do acesso para perícia a mensagens, registros de chamadas, imagens e arquivos armazenados em nuvem. A operação, realizada em 15 de outubro, cumpriu quatro mandados de prisão temporária e oito de busca e apreensão.
INVESTIGAÇÃO CONTINUA
A Polícia Civil apura suspeitas de peculato e associação criminosa envolvendo Flávio Olmos e outros investigados. Os depoimentos e as movimentações financeiras descritos na decisão judicial constituem elementos da investigação e não representam comprovação definitiva dos crimes.
As exonerações, o pedido de renúncia de Flávio à presidência e a solicitação de licença não encerram o procedimento criminal. Os investigados continuam amparados pelos direitos à ampla defesa, ao contraditório e à presunção de inocência.
Enquanto as autoridades prosseguem com as apurações, a Câmara Municipal reorganiza sua estrutura administrativa e prepara a eleição da nova direção. A recomposição do plenário, por sua vez, dependerá da decisão dos vereadores sobre a licença solicitada por Flávio.
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