30 de agosto | 2026
Achei que estava tudo bem, mas não estava: mãe relata descoberta da depressão da filha
Mãe e chef de cozinha, Joyce Thayane decidiu tornar público o que viveu dentro de casa depois de descobrir que a filha estava se automutilando e havia tomado medicamentos por conta própria. Segundo ela, bullying, dificuldade de aceitar o próprio corpo e outros fatores contribuíram para um quadro posteriormente diagnosticado, por uma psiquiatra, como ansiedade e depressão.

A filha havia começado a se machucar nos braços e escondia as marcas com roupas. Joyce conta que não percebeu a automutilação e também não examinava profundamente as conversas mantidas pela adolescente nas redes sociais. A situação ganhou outra dimensão quando a jovem tomou medicamentos que conseguiu na casa de uma amiga e ficou alterada. Para a mãe, foi o momento em que ficou claro que aquilo que parecia uma rotina normal escondia um sofrimento muito maior.
“EU ACHAVA QUE O QUE FAZIA ERA SUFICIENTE”
O episódio levou Joyce a rever a maneira como observava a própria filha. Ela afirma que sempre conversou, aconselhou e esteve presente, mas percebeu que isso não significava necessariamente conhecer tudo o que se passava emocionalmente com a adolescente. “Eu achei que estava tudo bem, mas não estava”, resumiu ao relatar que a filha, na avaliação dela, estava pedindo ajuda sem que a família tivesse compreendido inicialmente os sinais.
Depois, ao verificar conversas da jovem no Instagram, Joyce encontrou manifestações de vazio, falta de sentido e sofrimento que até então desconhecia. Foi quando percebeu que o fato de oferecer estrutura, atenção e carinho não eliminava automaticamente as dificuldades emocionais enfrentadas pela filha. “Cada um sabe onde dói, cada um sabe da sua ferida”, afirmou.
BULLYING E INSATISFAÇÃO COM O PRÓPRIO CORPO
Entre os fatores citados por Joyce está o bullying sofrido na escola. Segundo a mãe, comentários de colegas sobre características físicas contribuíram para aumentar a insegurança da adolescente. A filha passou a reclamar das pernas, do formato do corpo, do cabelo e do rosto, enxergando defeitos que, para a mãe, não correspondiam à maneira como ela própria via a jovem. Joyce ressalta que existem ainda outras questões particulares que preferiu preservar.
A experiência fez com que ela também direcionasse um pedido aos pais: conversar com os filhos sobre o impacto de comentários feitos contra outras crianças e adolescentes. Para Joyce, características físicas não devem ser usadas como motivo de brincadeira, apelidos ou humilhação. Ela defende que esse cuidado seja ensinado dentro de casa, principalmente porque nem sempre quem pratica o bullying conhece a situação emocional de quem está do outro lado.
PRECONCEITO COM PSIQUIATRA FOI REVISTO
Joyce admite que também precisou enfrentar um preconceito próprio. Antes do episódio, associava atendimento psiquiátrico a casos que considerava extremos e resistia à ideia de levar a filha a esse profissional. A experiência mudou sua percepção. Segundo ela, após conversar com a adolescente e avaliar o caso, a psiquiatra apresentou diagnóstico de ansiedade e depressão e prescreveu tratamento. A filha também iniciou acompanhamento com psicólogo.
Ao relatar isso publicamente, Joyce diz querer ajudar outras famílias a romperem a resistência em procurar atendimento especializado. Ela afirma que recebeu muitas mensagens depois que o caso se tornou conhecido nas redes sociais, parte delas oferecendo apoio, e percebeu como ansiedade, depressão e automutilação entre adolescentes ainda são assuntos pouco discutidos abertamente.
ROTINA CORRIDA PODE ESCONDER SINAIS
A chef reconhece que trabalho, casa e compromissos cotidianos ocupam grande parte do tempo dos pais. Para ela, justamente aí existe um risco: interpretar determinados comportamentos como normais e deixar passar pequenas mudanças. No caso da filha, roupas largas esconderam as marcas nos braços, enquanto o isolamento parecia apenas o comportamento comum de uma adolescente conectada ao celular.
Desde a descoberta, Joyce afirma ter reorganizado parte da própria rotina para ficar mais próxima da jovem. Parou de frequentar a academia e montou um espaço para treinar em casa. Quando a filha retorna da escola, procura permanecer perto dela, sair, conversar e acompanhar o tratamento.
“PROCURA AJUDA”
Ao tornar o episódio público, com autorização da filha, Joyce diz querer principalmente alertar outras famílias. A orientação que repete é para que pais observem mudanças de comportamento, conversem mais e procurem saber como os filhos estão realmente se sentindo, sem partir da certeza de que a ausência de sinais evidentes significa que tudo está bem.
Para ela, a principal mudança depois do que aconteceu foi compreender que amor e presença familiar são importantes, mas podem precisar caminhar junto com ajuda profissional. “Procura ajuda”, reforçou ao encerrar o relato, acrescentando um pedido por menos julgamento e mais empatia diante do sofrimento emocional de outras pessoas.
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