30 de agosto | 2026

Ansiedade, isolamento e automutilação: psicólogo alerta para sinais de sofrimento entre adolescentes

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Para o psicólogo Josimar Foganholi, redes sociais, cobranças, pressão escolar, expectativas familiares e dificuldades de relacionamento ajudam a compor um cenário de maior sofrimento emocional.

A maior atenção dada atualmente à saúde mental ajuda a identificar problemas que antes poderiam passar despercebidos, mas isso não significa que o aumento das queixas de ansiedade e depressão entre adolescentes seja apenas consequência de se falar mais sobre o assunto. Para o psicólogo Josimar Foganholi, terapeuta cognitivo comportamental, as duas situações acontecem ao mesmo tempo.

Segundo ele, adolescentes estão crescendo expostos a cobranças, comparações e estímulos desde cedo. As redes sociais ampliaram a necessidade de aprovação e comparação, enquanto muitos jovens apresentam dificuldades para lidar com frustrações, incertezas e com o tempo necessário para que determinadas situações da vida se resolvam.

QUANDO A MUDANÇA DE COMPORTAMENTO MERECE ATENÇÃO

Irritabilidade, isolamento e mudanças de humor podem fazer parte da adolescência e nem todo comportamento difícil significa sofrimento psicológico. O problema, segundo Foganholi, é classificar automaticamente determinadas atitudes como “drama”, “rebeldia” ou “frescura”. Queda no rendimento escolar, perda de interesse pelas atividades, alterações importantes no sono ou alimentação, isolamento e irritabilidade intensa são sinais que merecem ser observados.

Para diferenciar uma fase da adolescência de um problema que precisa ser investigado, o psicólogo aponta três critérios principais: intensidade, duração e prejuízo. Quando as mudanças são intensas, persistentes e começam a interferir na escola, na família, nas amizades ou nas atividades que antes davam prazer, é necessário prestar mais atenção. Muitas vezes, o adolescente não consegue dizer diretamente “eu preciso de ajuda” e acaba comunicando seu sofrimento por meio do comportamento.

AUTOMUTILAÇÃO NÃO DEVE SER TRATADA COMO MANIPULAÇÃO

Entre os sinais que exigem cuidado está a automutilação. Foganholi explica que machucar o próprio corpo geralmente está relacionado a uma tentativa de lidar com uma dor emocional que o adolescente não está conseguindo expressar ou controlar de outra maneira.

Por isso, o comportamento não deve ser tratado como manipulação ou simples tentativa de chamar atenção. Ao descobrir uma situação desse tipo, os pais devem evitar julgamentos e punições, abrir espaço para conversa e buscar avaliação profissional. Uma reação agressiva pode aumentar ainda mais a dificuldade do jovem para falar sobre aquilo que sente.

DESESPERANÇA E FALAS SOBRE MORTE SÃO SINAIS DE ALERTA

Ao abordar ansiedade, tristeza e desesperança, Foganholi destaca que ansiedade e tristeza são emoções, enquanto a desesperança é um sentimento. A emoção é uma reação mais imediata do organismo, enquanto o sentimento envolve uma percepção consciente e mais duradoura construída a partir das emoções.

Ansiedade e tristeza fazem parte da vida, mas exigem atenção quando começam a dominar a rotina e prejudicar relacionamentos, estudos, sono, alimentação ou a capacidade de sentir prazer. Se surgirem desesperança intensa, referências à morte ou comportamentos de risco, a orientação é não esperar que a situação passe sozinha. Nesses casos, deve-se procurar ajuda profissional e envolver imediatamente um adulto responsável.

PAIS PODEM AGRAVAR O SOFRIMENTO SEM PERCEBER

Algumas atitudes familiares também podem fazer com que o adolescente esconda aquilo que sente. Frases como “isso é bobagem”, “na minha época era muito pior” ou “você tem tudo, não tem motivo para estar assim” podem transmitir a sensação de que seus sentimentos não são legítimos.

Foganholi observa ainda que crianças criadas ouvindo constantemente mensagens como “o mundo é um lugar perigoso” ou “você precisa dar conta de tudo” podem desenvolver uma forma mais ansiosa de enxergar a vida. No lugar do julgamento, ele recomenda curiosidade e disposição para ouvir. Uma frase como “Eu quero entender o que está acontecendo com você” pode abrir espaço para que o jovem fale.

NÃO EXISTE UMA ÚNICA CAUSA PARA O PROBLEMA

Para o psicólogo, o crescimento das queixas de ansiedade e depressão entre adolescentes resulta de uma combinação de fatores. Pressão escolar, expectativas familiares, dificuldades de relacionamento, comparação nas redes sociais, excesso de estímulos, insegurança sobre o futuro e ambientes familiares pouco acolhedores podem atuar simultaneamente.

Também existem jovens que ainda não desenvolveram recursos emocionais para enfrentar frustração, rejeição e incerteza. Foganholi rejeita, porém, a ideia de que se trate simplesmente de uma geração “mais fraca”. Para ele, é uma geração que cresce em um mundo diferente e que precisa aprender maneiras mais funcionais de enfrentar essas pressões.

PEDIR AJUDA PODE COMEÇAR COM UMA FRASE

Ao adolescente que esteja sofrendo e ainda não consiga pedir ajuda, Foganholi reforça que não é necessário esperar a situação se tornar insuportável. Mesmo quando não consegue explicar exatamente o que está acontecendo, aquilo que sente deve ser considerado.

O primeiro passo pode ser procurar alguém de confiança e dizer: “Eu não estou bem e não sei exatamente como explicar.” Segundo o psicólogo, pedir ajuda não significa fraqueza, incapacidade ou exagero. Pode ser justamente o início do caminho para compreender e enfrentar o sofrimento.

 

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