30 de agosto | 2026

Ambiente em que adolescente vive pode aumentar sofrimento ou gerar proteção

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Em Olímpia, famílias sem condições de atendimento particular podem buscar UBS, ESF, CAPS e unidades do CRAS, além da rede de urgência nos casos de risco.

O sofrimento emocional de um adolescente não deve ser analisado apenas como um problema individual. Para a assistente social Gisele Aparecida Mofardini Yoshida Francisco, família, escola, comunidade e condições sociais podem influenciar de maneira significativa a forma como o jovem atravessa uma fase marcada pela construção da identidade, descobertas e necessidade de pertencimento.

Na escola, situações de bullying, exclusão, desrespeito e dificuldades de relacionamento podem aumentar a insegurança e favorecer o isolamento. Em sentido contrário, um ambiente acolhedor, com professores atentos a mudanças de comportamento, pode contribuir para identificar precocemente que alguma coisa não está bem.

FAMÍLIA PODE SER RISCO OU PROTEÇÃO

Dentro de casa, falta de diálogo, ausência de apoio e situações de violência podem aumentar sentimentos de medo, insegurança e ansiedade. Gisele ressalta, porém, que esses fatores não significam necessariamente que o adolescente desenvolverá ansiedade, depressão ou outro problema emocional.

Da mesma forma, uma família que escuta sem julgamento, acolhe e busca orientação pode funcionar como importante fator de proteção. Segundo a assistente social, geralmente o adolescente mantém algum vínculo de confiança com alguém, um familiar, professor, amigo ou outra pessoa próxima, e é justamente essa pessoa que pode perceber sinais e ajudá-lo a procurar atendimento antes que a situação se agrave.

REDE PÚBLICA É CAMINHO PARA QUEM PRECISA DE AJUDA

Quando a família percebe que o adolescente está sofrendo, mas não sabe onde procurar ajuda ou não possui condições financeiras para atendimento particular, Gisele lembra que existem serviços públicos disponíveis em Olímpia. Entre as portas de entrada estão as Unidades Básicas de Saúde e Estratégias de Saúde da Família, além do Centro de Atenção Psicossocial, o CAPS.

Na área da assistência social, os CRAS 1, 2 e 3 também podem acolher as famílias, orientar e encaminhar cada situação para o serviço adequado. Segundo ela, esses equipamentos permitem aproximar a população da rede pública e indicar o atendimento necessário de acordo com a demanda apresentada.

SITUAÇÕES DE RISCO EXIGEM ATENDIMENTO IMEDIATO

Nos casos de urgência, a orientação muda. Se o adolescente estiver se colocando em risco, ameaçando outras pessoas, apresentando crise intensa, tentativa de suicídio ou pensamentos suicidas, a família deve procurar atendimento de urgência, como a UPA, ou acionar o SAMU pelo telefone 192.

A assistente social ressalta que seu papel não é fazer diagnóstico nem esperar que uma mudança de comportamento seja resolvida de maneira imediata. O trabalho envolve escuta, acolhimento sem julgamento, orientação à família e articulação com os diferentes serviços disponíveis.

ASSISTÊNCIA SOCIAL AJUDA A LIGAR FAMÍLIA À REDE

Essa atuação pode incluir encaminhamentos e contatos com outros equipamentos públicos, dependendo das necessidades identificadas. O objetivo é ajudar a família a compreender melhor a situação e facilitar o acesso aos serviços capazes de dar continuidade ao atendimento.

Gisele reconhece que ainda existe dificuldade de muitos adultos em distinguir comportamentos próprios da adolescência de sinais de sofrimento emocional. Para ela, antes de simplesmente classificar uma mudança como rebeldia, é necessário observar o contexto e tentar compreender o que aquele comportamento pode estar comunicando.

ROTINA CORRIDA PODE FAZER ADULTOS DEIXAREM DE VER

Ao avaliar o que a sociedade pode estar deixando de perceber, a assistente social chama atenção para a falta de tempo nas relações. Trabalho, compromissos, tecnologia e uma rotina cada vez mais cronometrada reduzem momentos de convivência familiar, conversas presenciais e oportunidades de perceber mudanças sutis.

Nem todo adolescente consegue dizer em palavras aquilo que está sentindo. Por isso, segundo Gisele, os adultos precisam observar também o silêncio, o choro, a raiva, os impulsos, o isolamento e comportamentos de automutilação. Essas manifestações podem representar formas de expressar uma dor que o jovem ainda não consegue explicar.

ESCUTAR SEM JULGAR PODE INTERROMPER O ISOLAMENTO

Diante desses sinais, a resposta não deve começar por bronca ou julgamento. A assistente social defende maior disponibilidade para escutar, demonstrar respeito, carinho, atenção e empatia, reconhecendo que aquilo que parece pequeno para um adulto pode ter grande peso para um adolescente.

Para Gisele, recuperar relações mais próximas dentro de casa, da escola e da comunidade também faz parte da prevenção. Perceber uma mudança, perguntar o que está acontecendo e oferecer ajuda pode ser justamente o primeiro passo para impedir que um sofrimento vivido em silêncio se torne ainda mais grave.

 

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