26 de outubro | 2025

Nota de Falecimento com despedida da árvore cortada viraliza na internet

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LAMENTO VIRTUAL!
Morte simbólica de árvore mobiliza redes sociais e inspira “nota de falecimento” em Olímpia. Texto em primeira pessoa, atribuído à Falsa Seringueira, relembra memórias afetivas ligadas ao local, expressa cansaço e pede plantio de novas mudas como legado. Comentários na publicação revelam saudade, críticas à derrubada e debate sobre progresso versus preservação.

A comoção gerada pelo corte da Seringueira na Vicinal Álvaro Marreta Cassiano Ayusso transcendeu os protestos no local e as discussões em podcasts, ganhando uma dimensão emocional nas redes sociais.

Uma postagem no Facebook, de autoria atribuída a Reginaldo Pereira, por exemplo, rapidamente viralizou ao apresentar uma “Nota de Falecimento” escrita na perspectiva da própria árvore, intitulada “Últimas palavras da seringueira centenária”.

No texto, a árvore “agradece o carinho” e pede para que sua “versão dos fatos” seja ouvida, mesmo sabendo de seu “destino traçado”. Ela relembra tempos passados: “Conheci os antepassados de muitos de vocês. Vi gerações inteiras crescerem à minha sombra. Quantos encontraram em mim um abrigo nos dias quentes? Quantos deram o primeiro beijo sob minha copa? Outros, quando crianças, balançavam-se em minhas raízes suspensas…”. A postagem evoca memórias afetivas, mencionando segredos guardados e brincadeiras com o látex que escorria de pequenas feridas.

CANSAÇO, SOLIDÃO E ÚLTIMO PEDIDO

Apesar de feliz pelas lembranças que desperta, a “árvore” confessa no texto um cansaço acumulado e a solidão após ver desaparecer amigos como pássaros, insetos e outras plantas.

“Me tornei apenas um ponto de referência, um retrato antigo de tempos mais verdes. Minhas raízes doem, minhas entranhas gemem em silêncio… Hoje, o que mais sinto… é a ausência”, diz a postagem, ressaltando, contudo, que nunca tentou pôr fim à própria existência, respeitando a vida como um “presente do Criador”.

Diante da execução iminente, o texto pede paz e faz um último apelo: “Se realmente me consideram importante, honrem minha memória plantando novas árvores. Cada pessoa que sentiu pena de mim, plante ao menos uma muda — de preferência próxima a nascentes, margens de rios… Plantem árvores nativas, frutíferas se puderem. Ensinem seus filhos a cuidar delas…”.

A mensagem termina com uma reflexão sobre a memória: “> Nada — e ninguém — morre enquanto existir na memória de alguém. Com carinho, Uma árvore cansada, mas eternamente agradecida ao Criador”.

REPERCUSSÃO E DEBATE NOS COMENTÁRIOS

A publicação gerou centenas de reações e dezenas de comentários, refletindo a profunda tristeza e a indignação de parte da população olimpiense diante do que muitos consideraram um “assassinato”.

O tom predominante foi de lamento pela perda de um símbolo e crítica à decisão. Mensagens como “É muito triste quando uma árvore é arrancada…” foram frequentes, acompanhadas de elogios à sensibilidade do texto que deu voz à árvore: “Quanta sensibilidade, sábias palavras…”, “PARABÉNS PELO BELO E VERDADEIRO TEXTO… QUE POSSAMOS VALORIZAR E RESPEITAR CADA SER VIVO…”.

A frustração com a falta de alternativas e a aparente insensibilidade dos responsáveis também marcou presença nos comentários: “…as vezes o ser humano não pensa em outras alternativas, é aquilo e acabou”.

A crítica se estendeu aos profissionais envolvidos e à visão de desenvolvimento: “Esses engenheiros de hoje em dia deveriam ir para o Paraguai ter umas aulas de preservação ambiental, pq aqui isso está um inferno estão devastando tudo…”.

O sentimento de impotência e a crítica política também emergiram: “Triste, nesta hora que vc vê que seu voto não vale nada, nenhum vereador é muito menos secretariado…. Triste ver isso…”.

Até mesmo o autor da postagem original, Reginaldo Pereira, comentou com resignação e melancolia: “Esse é o preço do progresso.”, citando um trecho da música “Triste Berrante”.

O sentimento majoritário expresso online foi de perda e lamento, evidenciando o forte vínculo afetivo da comunidade com a árvore sacrificada e questionando o preço cobrado pelo avanço urbano.

O debate online espelhou a complexidade do caso, envolvendo memória afetiva, preservação ambiental, segurança e as demandas do desenvolvimento urbano.

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