01 de novembro | 2026

Canetas emagrecedoras: solução para a obesidade ou risco para a saúde?

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Medicamentos como semaglutida e tirzepatida podem ajudar no tratamento da obesidade e do diabetes, mas o uso sem orientação médica e a compra de produtos irregulares podem trazer consequências graves.

Cássio Henrique Vazão  – O interesse pelas chamadas canetas emagrecedoras cresceu muito, impulsionado pelos resultados de alguns tratamentos e pela divulgação nas redes sociais. Em outubro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) voltou a agir contra a venda de produtos sem registro, incluindo apresentações irregulares de tirzepatida e retatrutida. A notícia reacende uma pergunta importante: afinal, essas injeções são seguras?

A resposta depende de três fatores: indicação correta, procedência do medicamento e acompanhamento médico. Substâncias como semaglutida e tirzepatida podem ajudar determinadas pessoas no controle do diabetes tipo 2 e da obesidade. Elas atuam sobre mecanismos relacionados à fome, à saciedade e ao controle da glicose. Mas não são soluções mágicas e nem servem para qualquer pessoa.

OS RISCOS DA AUTOMEDICAÇÃO

Náuseas, vômitos, diarreia e prisão de ventre estão entre os efeitos adversos possíveis. Há também complicações menos frequentes e potencialmente graves, como a pancreatite. Dor abdominal muito forte e persistente, especialmente quando se espalha para as costas e vem acompanhada de vômitos, exige atendimento médico imediato.

O risco aumenta quando a pessoa compra medicamentos de origem desconhecida, utiliza doses por indicação de conhecidos ou segue tutoriais da internet. A Anvisa também alertou para o perigo de diluir em casa substâncias vendidas em pó para aplicação. Sem garantias de composição e esterilidade, uma injeção pode provocar intoxicação, infecções e outros danos.

EMAGRECER EXIGE ACOMPANHAMENTO

Antes de iniciar um tratamento, é necessário avaliar o peso, o histórico de saúde, o uso de outros medicamentos e possíveis contraindicações. A escolha da dose e o acompanhamento dos resultados precisam ser individualizados. Gestantes e pessoas com determinadas condições de saúde, por exemplo, podem não ser candidatas a esse tipo de terapia.

Outro cuidado é preservar músculos e qualidade de vida durante a perda de peso. Alimentação equilibrada, ingestão adequada de proteínas e atividade física, quando possível e orientada, continuam fundamentais. A medicação, quando indicada, integra o tratamento; não substitui hábitos saudáveis.

Vale lembrar que a obesidade é uma condição crônica, e tratá-la não é uma questão apenas estética. O objetivo deve ser melhorar a saúde, reduzir riscos e manter resultados com segurança. Quem já usa uma dessas canetas não deve mudar a dose ou interromper o tratamento por conta própria: deve conversar com o profissional responsável.

O melhor caminho não é seguir a moda, mas buscar uma avaliação séria. Em saúde, rapidez nunca deve valer mais do que segurança.

Cássio Henrique Vazão (CRM-SP 224885) é médico generalista em Olímpia, com foco em medicina humanizada, qualidade de vida, emagrecimento e longevidade. Atende na Clínica Fenice, localizada na Avenida Amélia Seno Maziteli, nº 76, em Olímpia (SP).

 

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